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https://dspace.sti.ufcg.edu.br/handle/riufcg/48478| Title: | Entre corpos e contrapalavras: a transgressão como processo dialógico na cultura Hip Hop. |
| Other Titles: | Between bodies and counter-words: transgression as a dialogical process in Hip Hop culture. |
| ???metadata.dc.creator???: | SANTANA, Daniel Batista. |
| ???metadata.dc.contributor.advisor1???: | SOUZA, Fábio Marques de. |
| ???metadata.dc.contributor.referee1???: | XAVIER, Manassés Morais. |
| ???metadata.dc.contributor.referee2???: | SILVA, Flávio José Souza. |
| ???metadata.dc.contributor.referee3???: | BARBOSA, Lílian. |
| ???metadata.dc.contributor.referee4???: | CAMARGO JÚNIOR, Ivo Di. |
| Keywords: | Estudos linguísticos;Contrapalavra;Transgressão enunciativa;Análise dialógica do discurso;Materialidades verbivocovisual e verbomusical;Cultura Hip Hop;Linguistic studies;Counterword;Enunciative transgression;Dialogic discourse analysis;Verbivocovisual and verbomusical materialities;Hip Hop culture |
| Issue Date: | 9-Jul-2026 |
| Publisher: | Universidade Federal de Campina Grande |
| Citation: | SANTANA, Daniel Batista. Entre corpos e contrapalavras: a transgressão como processo dialógico na cultura Hip Hop. 2026. 249 f. Tese (Doutorado em linguagem e ensino) – Programa de Pós-Graduação em Linguagem e Ensino, Centro de Humanidades, Universidade Federal de Campina Grande, Paraíba, Brasil, 2026. |
| ???metadata.dc.description.resumo???: | Esta tese analisa como os discursos verbivocovisuais do documentário Nem eu sei tudo (2020) e os discursos verbomusicais de canções de Baco Exu do Blues constituem efeitos discursivos de transgressão na Cultura Hip Hop, especialmente na dança Breaking e no Rap contemporâneo. Em sua especificidade, busca compreender as relações alteritárias e os modos de endereçamento que organizam essas materialidades; desvelar os fios ideológicos que as atravessam; e investigar os processos dialógicos que produzem a transgrediência enquanto operação axiológica situada. A justificativa do estudo sustenta-se na escassez de produções que articulem corpo, dança, música e linguagem sob uma ótica discursiva, bem como na inegável relevância sociocultural do Hip Hop como arena ativa de enfrentamento ao racismo, ao machismo e à precarização da vida. Ancorada nos pressupostos de Bakhtin e do Círculo (1976; 2010; 2019), a investigação concebe a linguagem como prática ideológica, responsiva e alteritária, cujos sentidos emergem da interação tensa entre sujeitos, valores e condições histórico-sociais. Dialoga ainda com Brait e Gonçalves (2021) e Nóbrega (2010; 2018) sobre as artes do corpo e corporeidade, com Dias (2019) a respeito da historicidade do Hip Hop, com Mbembe (2018; 2022) sobre raça, com hooks (2019; 2025) na crítica estrutural de gênero, bem como com Paula e Serni (2017) e Souza (2010) para a dimensão verbivocovisual e verbomusical. Metodologicamente, caracteriza-se como pesquisa documental qualitativa orientada pela Análise Dialógica do Discurso (ADD), cuja seleção e organização do corpus se pautaram pela pertinência dialógica entre sequências/fotogramas e trechos lírico-vocais, tratados em movimento indissociável de descrição, análise e interpretação responsiva. Os resultados evidenciam três eixos centrais. (i) Alteridade: as materialidades mostram que o Hip Hop se estrutura como arena de enunciação relacional, em que o sujeito não se afirma pela autonomia, mas pela responsividade ao outro — seja no corpo que dança em diálogo com o olhar e o gesto alheios, seja na lírica que se organiza em confronto com vozes sociais que a precedem, configurando a alteridade como princípio ético e condição de emergência do enunciado transgressor. (ii) Fios ideológicos em disputa: o cotejamento revela que raça, gênero, classe e território funcionam como zonas de tensão axiológica cujas materialidades desestabilizam normatividades hegemônicas — denunciando os efeitos da colonialidade, da captura mercadológica da negritude, das injunções patriarcais e da precarização periférica — ao mesmo tempo em que expõem contradições internas do movimento, que precisa lidar com hierarquizações, disputas de legitimidade e entrelugares ideológicos. (iii) Transgressão como processo: a movimentalidade e a vocalidade performática evidenciam que a transgressão não é essência prévia da Cultura, mas efeito discursivo situado, contraditório e dialógico que desloca valores, reinscreve presenças e produz fraturas simbólicas no espaço urbano, desafiando forças centrípetas do racismo, do patriarcado e do capitalismo. Trata-se de uma transgrediência inacabada, sustentada por movimentos contínuos de reacentuação, contrapalavra e insurgência estética. Conclui-se que o corpo que dança e a voz que canta constituem forças dissidentes que, amparadas na responsividade ética e na não-finalizabilidade bakhtiniana, convertem experiências de exclusão em enunciados esteticamente potentes, reconfigurando modos de pertencimento e instaurando regimes de visibilidade que afirmam a alteridade como mediadora inalienável das relações sociais e como fundamento político da Cultura Hip Hop contemporânea. |
| Abstract: | This doctoral thesis examines how the verbivocovisual discourses of the documentary Nem eu sei tudo (2020) and the verbomusical discourses of songs by Baco Exu do Blues constitute discursive effects of transgression within Hip Hop Culture, particularly in Breaking dance and contemporary Rap. Specifically, it seeks to understand the alteritist relations and addressivity modes that shape these materialities; uncover the ideological threads that traverse them; and investigate the dialogic processes that produce transgredience as a situated axiological operation. The study is justified by the scarcity of research that articulates body, dance, music, and language through a discursive lens, as well as by the undeniable sociocultural relevance of Hip Hop as an active arena of resistance against racism, sexism, and the precarization of peripheral life. Anchored in the theoretical assumptions of Bakhtin and the Circle (1976; 2010; 2019), the analysis conceives language as an ideological, responsive, and alteritist practice, whose meanings emerge from the tense interplay between subjects, values, and historical-social conditions. It also dialogues with Brait and Gonçalves (2021) and Nóbrega (2010; 2018) on corporeality and the arts of the body, with Dias (2019) regarding the historicity of Hip Hop, with Mbembe (2018; 2022) on race and coloniality, with hooks (2019; 2025) on gendered structural critique, and with Paula and Serni (2017) and Souza (2010) for the verbivocovisual and verbomusical dimensions. Methodologically, it is a qualitative documentary study guided by Dialogic Discourse Analysis (DDA), whose corpus selection relied on dialogic pertinence between audiovisual sequences/frames and lyric-vocal excerpts, treated through an inseparable movement of description, analysis, and responsive interpretation. The results reveal three central axes. (i) Alterity: the materialities show Hip Hop as a relational enunciative arena in which the subject is not affirmed through autonomy but through responsivity to the other — whether in the dancing body dialoguing with the gaze and gestures of others, or in the lyrical voice confronting the social voices that precede it. Alterity thus emerges as an ethical principle and as the very condition of possibility for the transgressive utterance. (ii) Ideological threads in dispute: the comparison between materialities reveals race, gender, class, and territory as zones of axiological tension that destabilize hegemonic normativities — denouncing the effects of coloniality, the commodification of Blackness, patriarchal injunctions, and peripheral precarization — while also exposing internal contradictions within the movement, which must contend with hierarchies, legitimacy disputes, and ideological “in-between” positions. (iii) Transgression as process: performative movement and vocality show that transgression is not an inherent essence of Hip Hop but a situated, contradictory, and dialogic discursive effect that displaces values, reinscribes presences, and produces symbolic fractures in urban space, challenging the centripetal forces of racism, patriarchy, and capitalism. Transgredience here is unfinished, sustained by continuous movements of re-accentuation, counter-word, and aesthetic insurgency. It is concluded that the dancing body and the singing voice constitute dissident forces which, grounded in ethical responsivity and Bakhtinian non-finalizability, convert experiences of exclusion into aesthetically potent utterances. In doing so, they reconfigure modes of belonging and establish visibility regimes that affirm alterity as an inalienable mediator of social relations and as a political foundation of contemporary Hip Hop Culture. |
| Keywords: | Estudos linguísticos Contrapalavra Transgressão enunciativa Análise dialógica do discurso Materialidades verbivocovisual e verbomusical Cultura Hip Hop Linguistic studies Counterword Enunciative transgression Dialogic discourse analysis Verbivocovisual and verbomusical materialities Hip Hop culture |
| ???metadata.dc.subject.cnpq???: | Linguagem e Ensino. Letras. |
| URI: | https://dspace.sti.ufcg.edu.br/handle/riufcg/48478 |
| Appears in Collections: | Doutorado em Linguagem e Ensino |
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